Espaço Público e Memória

“Quem memoriza, memoriza contra o esquecimento. O Emanuel Araujo, idealizador do Museu Afro Brasil, fez uma exposição chamada “Para nunca esquecer”, justamente chamando atenção pro processo de esquecimento das trajetórias de populações negras no Brasil”.

“Espaço Público e Memória”, com Alexandre Bispo, Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, Diretor da Divisão de Ação Cultural e Educativa do Centro Cultural São Paulo. Membro do conselho editorial da revista Omenelick O Menelick 2º Ato, é a sexta videoaula do CyberQuilombo, Curso de Formação Online de Oficineiros LabE, que remixa africanidades com cultura digital.

“Quando a gente pensa na quantidade de homens e mulheres negras que morreram no Brasil, que é muito assustador, são mais de 4 milhões de pessoas ao longo de 300 anos, a gente pode o seguinte: nossa como que a gente faz pra lidar com esse trauma histórico dentro do nosso pais? Uma das ações que a gente tá fazendo de reconhecimento dessa memória violenta, por exemplo, é a criação de cotas, uma das maneiras da gente reparar ações de larga escala de violência contra uma população.”

Sobre o contexto de ocupação do espaço público, Bispo diz: “a gente tem memórias sendo produzidas. Essas memórias, elas estão dentro da cidade, elas identificam a cidade. Agora, para que as memórias continuem fazendo sentido as pessoas precisam saber que elas existem. Quando a gente pensa nos descendentes de italianos, nos descendentes de alemães no Brasil, eles tem todo um orgulho de falar do passado deles. Sem contar que gostam de falar que o bisavô chegou aqui, passou pela hospedaria dos imigrantes… toda aquela narrativa de sucesso também. A Pompéia, por exemplo, se a gente for ver os nomes das sua ruas é muito significativo, você vai ver toda uma parte da Pompéia que é de ascendência italiana. (…) E os nomes negros a gente tem? (…) Quantas pessoas será que sabem que a Avenida Rebouças e a Rua Teodoro Sampaio homenageiam homens negros? Talvez essa fosse uma boa pergunta pra gente se fazer.”